quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Descolonização






Hoje foi o dia da nossa visita a Macau, que não fica muito distante de HK.

Era grande a curiosidade para saber como os portugueses deixaram o território após a devolução aos chineses.  Os portugueses partiram em 1999.  A pujança econômica de HK não é nem de longe equiparada por Macau.  Os vestígios da colonização lusa são basicamente arquitetônicos.  Apenas dois por cento da população de 500.000 habitantes usa o português habitualmente. No entanto, o país é oficialmente bilíngue.  Acreditamos até que para manter certos privilégios de região politicamente autônoma junto ao governo central chinês.  É uma pena não poder encontrar muitos falantes do nosso idioma na rua.  O garçom que nos atendeu no almoço, no restaurante português, falava um pouquinho de português, mas perguntando-lhe de onde era, descobrimos que havia migrado das Filipinas!

O local portanto, é sujeito a esta e a outras falsificações em sua identidade.  A indústria do jogo deve ter entrado em algum outro vácuo criado pela devolução territorial.  Construiu-se lá o maior cassino do mundo (The Venetian).  Entramos só para comprovar.  É muito impressionante mesmo.  Existe uma migração diária de pessoas buscando este tipo de "lazer".  Elas vão de Hong Kong ou da China continental fazer as suas apostas nas mesas dos mega-empresários que controlam este e outros cassinos.  E as lojas de penhor florescem lindamente ao lado dos cassinos.

Tudo isso contribuiu para que tivéssemos uma impressão melancólica do lugar, aparentemente assentado sobre várias ilusões, e vendendo estas ilusões pela região afora.

Também trouxemos algo mais palpável de lá: uns biscoitinhos e pasteis de nata (ao estilo dos de Belém, em Portugal).  Aposto que as calorias não eram ilusórias.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A hiperurbanidade


Hong Kong é muito urbana. As semelhanças geográficas com o Rio de Janeiro são muitas. Há montanhas que saem do mar e também pouco espaço para muita gente. O bairro onde estamos hospedados (Wan Chai) se parece muito com Copacabana, embora a verticalidade seja mais acentuada aqui do que lá.

Ontem, Ezio e eu subimos o pico com o bonde. É o equivalente ao Corcovado lá do Rio. O passeio é muito bonito e o bondinho é muito competente. Porém, o clima aqui anda mais frio do que a média carioca. Descemos de lá à noite, e já ventava bastante, o que aumentou a sensação de frio. Devia estar fazendo uns 12 graus.

Que inferno astral?

A travessia não poderia ter sido mais suave.  Não fui detido por nevascas na Europa, não sofri muito fisicamente com os longos voos e até me recuperei no terceiro voo (de Munique para Hong Kong).

As primeiras impressões da cidade foram muito positivas. O metrô funciona bem, as pessoas se comportam com civilidade, enfim, trata-se de uma cidade bastante razoável.

Já passeamos bastante no dia 1 de janeiro e ontem.

A diferença no fuso horário ainda é sentida. Estamos a 10 horas à frente do horário brasileiro. O sono ainda não se normalizou, mas chegamos lá...