sábado, 15 de janeiro de 2011

APO

Três letrinhas que encerram uma complexidade ecológica imensa.  A ilha de Apo fica próxima da de Negros. 
O nosso passeio iniciou-se num dos hotéis mais sofisticados de Siquijor, o Coco Grove às 8:30 da manhã. 
O grupo de turistas europeus que nos acompanhou não incomodou.  Havia seis dinamarqueses, um casal simpático da Holanda, dois suíços que não interagiram com ninguém e três francesas um pouco excêntricas.
Rumo à ilha


O barco saiu um pouco atrasado, mas como é rápido, chegamos ao nosso destino antes das 11.  A paisagem acima do mar não denuncia a riqueza submarina: uma vegetação rala sobre um relevo que também não salta aos olhos.  Calçamos os sapatos de borracha que protegem os pés de ouriços e outros incômodos da orla e entramos curiosos na água.  A visibilidade submarina estava boa, o que nos permitiu ficar tranquilos e curtir o que se apresentava aos nossos olhos.  A variedade de corais foi o que mais impressionou, de imediato.  Ao contrário da praia de Siquijor onde fica o nosso hotel, a maior parte dos corais de Apo estava saudável e vibrando com muita vida.  Havia colônias imensas.  Muita gente viu tartarugas de perto.  Só vi uma ao ancorarmos.  Ela era grande.  A variedade de peixes era muito grande, o que nos entusiasmou muito.

Almoçamos na filial do resort, lá em Apo.  A comida estava simples, leve e gostosa. 
O ponto alto foram as mangas servidas na sobremesa, justificando a fama de que as Filipinas produzem as melhores do mundo.  Perfeição.

Meninos de Apo a brincar


Zarpamos rumo a outra praia, que é um santuário protegido.  A preservação destes ambientes de coral da ilha foi entregue aos habitantes da ilha, que policiam e se encarregam com afinco a colocá-la em prática.  O esquema que se implantou entre os habitantes é tão eficiente que não há necessidade de guardas ambientais do governo.  Controla-se a pesca e evita-se a destruição dos corais, essenciais à manutenção do restante do ecossistema marinho.  Senti-me no Jardim do Éden, tal a variedade e exuberância da vida que se instalou nessa ilha.  Havia torres imensas de coral.  Corais moles e anêmonas com formatos inusitados abrigavam famílias e grupos enormes de peixes-palhaço de várias espécies.  Peixes-anjo, pequenos peixes de um azul-neon prá lá de intenso e peixes-papagaio passeavam pelas formações do coral.  Não ficamos sem fôlego
porque utilizávamos o canudo de respiração, mas a sensação era exasperante.

Pena que tudo durou tão pouco.  Deixamos Apo por volta das quatro da tarde.

Na volta, fomos brindados pela presença sempre alegre de golfinhos, que se aproximaram do barco e nadaram bastante junto à sua proa.  Não sei se há fundamento, mas o capitão e os ajudantes batiam palmas para atrair os cetáceos.  Parece que deu certo.  Logo depois, um grupo de baleias-piloto também fez espetáculo junto ao barco.  Foi tudo muito emocionante.

Escolta cetácea

O capitão do barco


Peço desculpas por não postar fotos submarinas.  Arrependi-me um pouco de não ter comprado o estojo transparente que permite usar qualquer câmera convencional embaixo d'água.  Teria sido possível tirar belas fotos.


Consolo-me com foto tirada à beira da água, mostrando as tonalidades verde-azuladas que caracterizam este tipo de praia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dia para passear pela ilha

Depois do descanso no meu aniversário, acordamos mais dispostos a conhecer a ilha, que tem uma estrada de 72 km ao seu redor.

O dia começou chuvoso e com poucas aberturas de sol, mas foi melhorando dramaticamente.  Chamamos um "táxi", que é uma motocicleta adaptada, contando com uma caçamba onde cabem muitos passageiros.  A capacidade de improvisação dos filipinos talvez supera o nosso famigerado jeitinho brasileiro.  Da necessidade, criam-se verdadeiras obras de arte e engenharia.
Não corremos tantos riscos quanto os filipinos, que se penduram no teto e apinham o interior destes triciclos


Visitamos três resorts em uma outra ponta da ilha, sabendo que lá haveria menos vento e, portanto, melhores condições para explorar os recifes de coral.  Não gostamos de nenhuma das pousadas.  Pretenciosas ou mal-ajambradas.  Não entrou na nossa cabeça sair da Vila Marmarine e nos enfiar em favelinhas cheias de europeus.  Ficamos aliviados em saber que estamos bem instalados e, com isso, decidimos ficar aqui até o final da estada em Siquijor, no dia 18.

Mas o melhor do dia ocorreu no final, quando paramos em um botequim bem simples, o JJ, onde encontramos um restaurante e uma praia lindíssima lá atrás.  Travamos conhecimento com três finlandeses e um casal de eslovênios, todos gente fina.
Irresistível San Juan, em Siquijor

Praia do JJ

A praia é lindíssima.  Águas límpidas, fundo branquinho e nada de ondas.  Estamos considerando participar de uma excursão no sábado até a ilha em frente (Apo), que promete ser ótima para os mergulhos.
Apo, a oeste de Siquijor

Mudança de placa

Amanhecemos na linda paisagem da praia do hotel Vila Marmarine, em Siquijor.
Vista do Vila Marmarine, em Siquijor

Do mar, olhando para a pousada


As fotos são mais eloquentes do que qualquer descrição.  Fiquei extasiado de poder ver novamente a qualidade cristalina das águas do Pacífico aqui destas bandas.  Isso se deve em parte ao substrato, uma areia fina derivada do coral, que não produz muita turbidez.  Fizemos algum "snorkeling" e constatamos que a maior parte do coral está morta.  Esta é uma triste realidade global.  Os motivos podem ser muitos: pesca predatória que utilizava dinamite ou cianeto para matar todos os seres vivos, inclusive os corais.  Colhia-se os peixes que boiavam, mas o legado mortífero era persistente por vários anos.  Atualmente, essas práticas estão proibidas, mas o aquecimento global trata de terminar a desgraça que já foi feita.  É verdade que vimos alguns corais prosperando, muito lindos, mas eles são ainda poucos.
Evitamos os ouríços com sapatos apropriados, que se encaixam no pé-de-pato


Os peixes também são poucos e pequenos.  Estamos planejando fazer um passeio a uma ilha com uma reputação boa neste quesito coral.  Veremos e, conforme a beleza, farei novo boletim aqui.

Ezio encomendou discretamente o jantar de aniversário aos donos da pousada.  À noite, a conversa entre ele e a garçonete me deixou intrigado e com uma pulga atrás da orelha.  Ela disse que iria trazer a encomenda logo em seguida.  Comemos um franguinho assado, uma caldeirada de siri e até tomamos um copo de vinho, cortesia do hotel.

Junto com o frango, chegou o bolo de chocolate. Enorme.  A falta de ordem dos pratos aqui no sudeste da Ásia já é minha conhecida.  O arroz chegou muito depois de termos começado a comer o frango.  Servimos o bolo a todos os hóspedes e aos empregados também.  Descobri um rapaz que trabalha aqui com o mesmo aniversário que eu.  O clima de confraternização foi muito gostoso.  Parece que os donos do hotel (que são japoneses) tratam bem os funcionários, pois eles são muito agradáveis e gostam de nos atender bem.

Só para o Ezio, a cerveja nacional
Completei 46 anos bem vividos.
Só alegria...

Propaganda da companhia aérea que escolhemos...

... mais por necessidade do que por preferência genuína, diga-se de passagem.

Mas a Cebu Pacific tem vários trajetos que nos foram úteis.  Integrá-los com os de outras companhias teria sido ainda mais complicado.  O quebra-cabeças foi suficientemente desgastante utlizando-se uma empresa.

São ônibus muito populares.  Dada a situação geográfica do país e a grande população (quase 90 milhões de habitantes), todos têm de se locomover de barco ou de avião.  As salas do aeroporto de Manila ficam apinhadas de gente, que senta no chão para comer, muitas vezes comida trazida de casa.  Tudo que é servido a bordo das aeronaves é cobrado, menos o ar, por enquanto.

Mas a pontualidade e eficiência dos funcionários é admirável.  Estamos bem contentes com a escolha.

Deve ser um Airbus, não os conheço bem.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um dia de périplo para garantir paz e boa vida por dez dias

Deixamos Legazpi e tomamos fôlego para o que viria pela frente: a volta necessária a Manila, com conexão para Dumaguete, na ilha de Negros.  De Dumaguete, tomamos uma balsa que faz a travessia para a ilha de Siquijor.  Esta ilha, supostamente linda, é evitada pelos nativos, por superstições quanto aos feiticeiros que aqui vivem.

Todos os deslocamentos transcorreram bem e até pudemos dar um giro por Dumaguete.  Causou-nos uma impressão positiva.  Almoçamos/jantamos em uma confeitaria/restaurante com influências europeias.  Havia tortas muito bem feitas, lasanha e outros quitutes familiares.  Nas barraquinhas da rua que margeia o mar, muita gente se regalava com os ovos de pata fertilizados.  Ou seja, come-se o embriãozinho mal-formado, com biquinho e tudo.  Isso é Filipinas para vocês.

Chegamos por volta das 21:30 na pousada de um casal de japoneses (Sr e Sra Harada).  Muito charmosa, mas sem luxos.

Para relaxar, aproximamo-nos do vulcão mais ativo das Filipinas

Tratamos de sair logo de Manila, assim que compramos todos os bilhetes com a Cebu Pacific Airlines.  Isso nos proporcionou muito alívio.

O primeiro ponto de parada foi Legazpi, ao lado do Monte Mayón, supostamente o vulcão com a forma cônica mais perfeita que existe no planeta.  As fotos que vimos comprovam isso, mas não tivemos como documentar esta perfeição.  O vulcão esteve teimosamente encoberto em névoas e nuvens durante a nossa curta estada.

O máximo que vimos do vulcão.  São apenas nuvens, e não neve.
Para compensar, tivemos a chance de relaxar durante o domingão: nadei bastante na bela piscina e nos alimentamos adequadamente no restaurante do hotel.
Não perdi de vista a natação

domingo, 9 de janeiro de 2011

Manila não é fácil!

Chegamos às Filipinas!

O aeroporto nos recebeu bem, mas percebemos várias diferenças na eficiência e até mesmo na segurança circundantes.

Um táxi do hotel nos esperava, com o motorista e um acompanhante.  Ficamos sem saber se a função dele era a de guarda-costas.

O hotel ficava numa área central, mas como quase tudo em Manila, não há referências históricas preservadas.  A cidade sofreu muito com as batalhas travadas entre os americanos e os japoneses na época da Segunda Grande Guerra.  Morreram 150.000 habitantes da cidade em 1945, a maior parte dos quais por imperícia dos soldados americanos.  Seria um padrão habitual de nosso conhecimento em ocupações mais recentes dos ianques?  

A pobreza generalizada não faz cerimônia.  Há pouquíssimos prédios com a fachada bem mantida.  O bairro de Intramuros, contido por muralhas construídas pelos espanhóis, está praticamente todo dilapidado.  Mesmo neste distrito, que é o único conjunto de interesse histórico da cidade, há muita gente vivendo nas ruas, com pouca higiene e condições de saneamento.  Parece, contudo, que ainda se prendem a alguma dignidade, afinal este é o segundo maior contingente católico do planeta.  Mas verificamos também a malandragem, em sua modalidade menos atraente: motoristas espertinhos aplicando pequenos golpes impalatáveis aos turistas que eles creem ser desavisados.  Mas escapamos de qualquer incidente mais violento.

O alívio por termos emitido todos os bilhetes do nosso itinerário no arquipélago, só obtido às 20:30, foi comemorado com gosto em um restaurante... iraniano.  Aparentemente, há muitos iranianos que chegam às Filipinas para estudar o inglês.  Mas a comida, que era o que importava, estava ótima.

Dormimos exaustos, mas contentes com as providências que tomamos ao longo deste dia complicado.

O Buda de Po Lin

O Buda


O melhor chá verde engarrafado que já tomei

Chegada a Po Lin

O espaçoso aeroporto de Hong Kong.  Até logo, espero!

Mosteiro de Po Lin, bem cuidado, florido, limpo e com muito incenso.


Este visual dá para acalmar qualquer um.
Inspiramo-nos para acertar uma despedida a Hong Kong.  Na mesma ilha do moderno novo aeroporto, há um teleférico, também novo, que leva a uma montanha onde há uma estátua muito bonita do Buda.  Também nova, claro!  Ela mede 26 metros de altura e foi colocada lá em 1989.  Decidimos deixar as malas no aeroporto e seguir para Tung Chung e, de lá, rumo ao alto, com o teleférico.  O transporte demora 25 agradabilíssimos minutos e as montanhas da ilha de Lantau são atraentes, com menos mata do que o pico da ilha de Hong Kong.

As fotos falam por si.  Apesar do frio (três centígrados lá no alto), o passeio foi divertido e agradável.  O tempo ensolarado sempre ajuda.  Visitamos o mosteiro e comemos alguns petiscos da cozinha vegetariana.  O chá verde engarrafado estava maravilhoso.

Descemos a montanha de ônibus normal.  Serviço eficiente, como tudo lá em Hong Kong.  O embarque para as Filipinas foi às 21:55 e ocorreu pontualmente.  Muitos acertos para a organização dos chineses!