sábado, 22 de janeiro de 2011

Enfim, em Palawan

Demorou, mas cheguei.

Conseguimos fazer a travessia de Siquijor para Cebu, no dia 19.  O tempo firmou e a mudança foi dramática, o que nos permitiu fazer uma travessia tranqulíssima, embora longa.  Chegamos em Cebu, importante cidade filipina.  O hotel não era lá essas coisas, mas para passar apenas uma noite, fechamos os olhos e o encaramos.

No dia seguinte, tomamos o avião para Puerto Princesa, a capital da ilha de Palawan.  O voo foi tranquilo e encontramos no aeroporto um casal de holandeses com quem tínhamos mergulhado em Siquijor.  Simpatia recíproca.  Conclusão: este casal aderiu ao nosso programa, que envolvia pegar um carro fretado assim que chegássemos a Puerto, rumo a Port Barton.  A estrada tem um asfalto decente e passa por paisagens lindas.  Logo notei a alta frequência de cajueiros na ilha.  Basicamente, exploram-se as castanhas.  Pouco descobrimos acerca da utilização do caju em si.

O último trecho da viagem foi mais dramático, em estrada precária de lama.  Mas o carro do motorista era valentão e ele muito tranquilo.

A chegada em Port Bartom é muito bonita.  Ao descer da serra, vimos muitos campos de arroz com o mar ao fundo.

Em Port Barton, ficamos em hotel à beira do mar.  Praia sensacional.  Melhor foi o passeio que agendamos com os nossos amigos holandeses.  Passamos o dia inteiro mergulhando nos recifes de coral.  Um deslumbre difícil de ser superado.

Hoje, saímos às seis horas da manhã de Port Barton rumo a El Nido.  Nossos amigos holandeses estavam firmes na praia, à espera do barco, assim como um casal de ingleses que também encontramos no hotel.

A travessia de quatro horas foi espetacular!  Paisagens belíssimas de uma natureza ainda intocada.  O vento constante provocou cansaço e um certo desequilíbrio térmico.  Vamos superando estes pequenos incômodos.

Vamos ficar aqui mais três dias, antes de rumarmos ainda mais para o norte, para a ilha de Busuanga.

Vou tentar postar fotos amanhã.  Boa noite!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Apreensão quanto ao tempo

Estabelecemos o melhor possível em termos de estratégia para que consigamos cumprir o nosso calendário de voos.  Temos de pegar um avião em Cebu City no dia 20, rumo a Puerto Princesa, em Palawan.  Porém, como o avião parte cedo, teremos de chegar à cidade na véspera, amanhã.  As ondas que têm agitado o outrora plácido mar que nos separa de Negros e Cebu foram responsáveis pelo cancelamento de algumas barcas ontem, na ilha onde estamos.

Tem chovido muito nas ilhas ao leste do arquipélago, especialmente Leyte e Samar.  As chuvas estão fora de época e atribui-se o fênomeno à La Niña. 

O mais importante é conseguir sair de Siquijor amanhã.  Uma vez em Dumaguete (em Negros), poderemos ter mais opções à nossa escolha: tomar outra barca para Cebu City (em outra ilha) ou mesmo um transporte misto (ônibus e barcaças).  O vento hoje já foi mais fraco do que ontem, mas o mar não está lisinho!  Torçam para que dê tudo certo, pois ainda temos alguns trechos a fazer em Palawan.

Um pouco de arquitetura

Quando voltei da outra única viagem que fiz à Ásia, alguém na Inglaterra me perguntou se ela havia se resumido ao gozo das belas praias tailandesas.  Mostrei indignação, afinal este não é o meu perfil, e tive de explicar por onde havia andado, além da orla.  Para que eu não seja interpelado de forma semelhante quando voltar deste passeio às Filipinas, mostro agora um pouco do que vimos em termos de arquitetura aqui na ilha.

A igreja dedicada a São Francisco de Assis foi construída em 1783, na cidade de Siquijor, próxima à estação das barcas que fazem a ligação com Dumaguete, em Negros.  O material é local, obviamente: pedra de coral, que até hoje é explorada comercialmente para as construções de residências.  Próximo a Lazi, está o mais antigo convento construído nas Filipinas.  Não o visitamos.

Paixões nacionais

O esporte número um dos filipinos é o basquete.  No entanto, outra ocupação que dá lucros é a exploração das brigas de galos.  Aqui em Siquijor, os galos são tratados muito bem, obrigado.  Vimos vários terrenos onde os galináceos machos são abrigados em pequenas casinhas triangulares.  Nos mercados, há lojinhas especiais para a venda de ração e cuidados com os galos.

Um dos funcionários da nossa pousada vive numa casinha logo na saída da estradinha que leva à rodovia.  Ao me ver fotografando os seus galos imponentes (pai vencedor de três brigas e filho promissor), ele se manifestou e se ofereceu para me mostrá-los mais de perto.  Achei simpático, como quase tudo o que os filipinos fazem e a partir daí, pudemos conversar mais.  Num determinado rinque e dia aqui na ilha, é possível assistir até a 50 lutas galináceas.  A brincadeira só tem graça se houver dinheiro envolvido, é óbvio.  Ele me perguntou se eu gostava das lutas.  Eu respondi que não sabia.  Se tivesse respondido que não, talvez a minha franqueza o assustaria ou incomodaria.   Afinal, optei por ser superficialmente diplomático.
Pai (à frente) e filho (com apenas três meses)

Orgulho e paixão de muitos filipinos

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Foram-se o sol, os turquezas e os esmeraldas

O dia amanheceu assim aqui em Siquijor.

Os ventos de nordeste persistem há mais de 12 horas.  Vêm da direção fria.  Há garoas entremeadas com tempo apenas cinzento e alguns aguaceiros mais intensos.  Mas o vento é incessante e bastante forte.  O mar que andava completamente liso, se encrespou e mostrou como tudo é tão mutável numa região onde o oceano é soberano na determinação dos padrões climáticos.  Temos de torcer para que o vento diminua e que consigamos fazer a travessia para a ilha de Cebu, depois de amanhã.

Orquídeas e o sempre versátil e generoso côco

Ao fazer esta postagem, pensei na Dona Elsa e na Marta, amantes fervorosas das flores.

Vi pelo menos estas variedades (que aparentam ser Dendrobium) de orquídeas bonitas aqui na Ilha de Siquijor.

Parece um Oncidium, mas acho que não é

No jardim do hotel de Siquijor


Aproveitem.


Apesar dos coqueiros serem muito abundantes aqui e de produzirem muitos e belos côcos, os nativos não parecem desfrutar muito das delícias do seu cerne.  Conseguir um côco para beber é um sacrifício.  Tivemos de reservar o "buko" com antecedência, senão as desculpas seriam muitas para justificar a falta da semente milagrosa no cardápio do hotel. 

Vimos pedaços de côco a secar à beira da rodovia que circunda a ilha.  Depois, descobrimos que o alimento vai para os galos, xodós máximos dos homens.  Para ganhar nos rinques de briga de galo, eles tratam bem das aves.  Vivendo e aprendendo.

A pilha ilustrada a seguir foi encontrada no hotel.  Talvez seja resultado do descaso com que tratam o côco por aqui.  Há vários coqueiros brotando.