segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Manhã linda

Quando a chuva cessou, após os dois dias já mencionados em outra postagem, o dia amanheceu lindo. 
Era o dia da nossa partida e isso nos deu muito alento para fazer as duas travessias de barca para Cebu.










Recifes expostos

Na água, de bem com a vida mansa


Ezio ainda espremeu uma aula introdutória de mergulho.

Seguem imagens do amanhecer.  A maré muito baixa, resultado da lua cheia, revelou uma área que
parecia um gramado bem cultivado.  Mas as pessoas que já estavam de pé neste gramado pela manhã
catavam ouriços.  Descobri que há uma variedade, com espinhos coloridos, que é a buscada pela gastronomia.  Na Villa Marmarine, comi um espaguete muito gostoso com molho de ouriço.  Tentei repetir no dia seguinte, mas eles já não tinham o ingrediente principal.

Desta pilha de ouriços negros...

Só poucos sobraram para ir à panela

Véspera da partida

O Sr. Harada nos preparou uma surpresa na noite que antecedeu a nossa partida de Siquijor. 
Um casal dinamarquês, com seus três filhinhos também partiria no dia seguinte.  Portanto,
a surpresa era uma partida de um jogo aparentemente conhecido no Japão, chamado "Gate Ball". 
Parece-se um pouco com o croquet que se joga na Inglaterra.  Como éramos dez hóspedes a jogar,
havia dez bolas, uma para cada um.  Formaram-se dois times, cada qual capitaneado por um
funcionário da pousada com experiência no jogo.  Nossa líder era a garçonete Anne, a mais bonita de todas.
Em termos gerais, o objetivo do jogo é passar cada bola pelos três arcos e finalizar atingindo uma trave vertical.  Joga-se em equipe.  O nosso era o time vermelho.  O adversário era o das bolas brancas.  Há estratégias
nada sutis, em que se atrapalha a vida do adversário e auxilia-se o progresso dos componentes com bolas da mesma cor.  Com isso, um percurso relativamente simples se complica com repetidas expulsões e reinícios.

Com Anne, campeã regional do jogo

Todos os participantes, com o Sr Harada, à esquerda

Estratégia para auxiliar outro participante do time

O capitão do time dos brancos, indicando onde se deveria atingir
Divertimo-nos muito.

Encontrei as gueixas filipinas!

Esta postagem é dedicada à Cindy, com quem já idealizei um romance escrito sobre as raras personagens que dão nome a este título.

Na pousada de Siquijor, cujos proprietários são japoneses (Sr e Sra Harada), as garçonetes (simpaticíssimas) usam quimono para nos atender à noite.  No resto do dia, o uniforme é mais simples e fresquinho.  Como o Sr Harada desenvolve uma série de ações sociais para incluir a população da ilha e dotá-la de instrumental para atuar na indústria de turismo, essas meninas (e os meninos que atuam em outros cargos) foram recrutadas nas comunidades vizinhas à pousada.  Muitos ainda frequentam a escola, pois os vimos chegando uniformizados à pousada, à tarde.

Fay (com o apelido Guin-Guin) era uma das mais velhas e quem trabalhava em todos os turnos do restaurante.  Como resultado, desenvolvemos um relacionamento mais estreito com ela.  Uma personalidade mais complexa se escondia por baixo da fantasia proposta pelo proprietário, que se revelava pela ironia e cumplicidade demonstrada pela Guin-Guin aos nossos comentários.

Torcemos para que essa garotada tão gentil e carinhosa encontre bons caminhos neste país tão castigado.

Parte da equipe do Villa Marmarine

Voltando um pouco no tempo...

Vou voltar um pouco no tempo porque estamos com acesso limitado à Internet aqui em Palawan, em função do horário racionado de energia elétrica.  Em Port Barton, ele era bem restrito: havia eletricidade apenas entre 18 h e 24 h.  Aqui em El Nido, entre 14 h e 6 h da manhã seguinte.  Também estivemos muito em trânsito desde o dia 19, portanto não houve muito tempo para descarregar as fotos que tirei.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Enfim, em Palawan

Demorou, mas cheguei.

Conseguimos fazer a travessia de Siquijor para Cebu, no dia 19.  O tempo firmou e a mudança foi dramática, o que nos permitiu fazer uma travessia tranqulíssima, embora longa.  Chegamos em Cebu, importante cidade filipina.  O hotel não era lá essas coisas, mas para passar apenas uma noite, fechamos os olhos e o encaramos.

No dia seguinte, tomamos o avião para Puerto Princesa, a capital da ilha de Palawan.  O voo foi tranquilo e encontramos no aeroporto um casal de holandeses com quem tínhamos mergulhado em Siquijor.  Simpatia recíproca.  Conclusão: este casal aderiu ao nosso programa, que envolvia pegar um carro fretado assim que chegássemos a Puerto, rumo a Port Barton.  A estrada tem um asfalto decente e passa por paisagens lindas.  Logo notei a alta frequência de cajueiros na ilha.  Basicamente, exploram-se as castanhas.  Pouco descobrimos acerca da utilização do caju em si.

O último trecho da viagem foi mais dramático, em estrada precária de lama.  Mas o carro do motorista era valentão e ele muito tranquilo.

A chegada em Port Bartom é muito bonita.  Ao descer da serra, vimos muitos campos de arroz com o mar ao fundo.

Em Port Barton, ficamos em hotel à beira do mar.  Praia sensacional.  Melhor foi o passeio que agendamos com os nossos amigos holandeses.  Passamos o dia inteiro mergulhando nos recifes de coral.  Um deslumbre difícil de ser superado.

Hoje, saímos às seis horas da manhã de Port Barton rumo a El Nido.  Nossos amigos holandeses estavam firmes na praia, à espera do barco, assim como um casal de ingleses que também encontramos no hotel.

A travessia de quatro horas foi espetacular!  Paisagens belíssimas de uma natureza ainda intocada.  O vento constante provocou cansaço e um certo desequilíbrio térmico.  Vamos superando estes pequenos incômodos.

Vamos ficar aqui mais três dias, antes de rumarmos ainda mais para o norte, para a ilha de Busuanga.

Vou tentar postar fotos amanhã.  Boa noite!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Apreensão quanto ao tempo

Estabelecemos o melhor possível em termos de estratégia para que consigamos cumprir o nosso calendário de voos.  Temos de pegar um avião em Cebu City no dia 20, rumo a Puerto Princesa, em Palawan.  Porém, como o avião parte cedo, teremos de chegar à cidade na véspera, amanhã.  As ondas que têm agitado o outrora plácido mar que nos separa de Negros e Cebu foram responsáveis pelo cancelamento de algumas barcas ontem, na ilha onde estamos.

Tem chovido muito nas ilhas ao leste do arquipélago, especialmente Leyte e Samar.  As chuvas estão fora de época e atribui-se o fênomeno à La Niña. 

O mais importante é conseguir sair de Siquijor amanhã.  Uma vez em Dumaguete (em Negros), poderemos ter mais opções à nossa escolha: tomar outra barca para Cebu City (em outra ilha) ou mesmo um transporte misto (ônibus e barcaças).  O vento hoje já foi mais fraco do que ontem, mas o mar não está lisinho!  Torçam para que dê tudo certo, pois ainda temos alguns trechos a fazer em Palawan.

Um pouco de arquitetura

Quando voltei da outra única viagem que fiz à Ásia, alguém na Inglaterra me perguntou se ela havia se resumido ao gozo das belas praias tailandesas.  Mostrei indignação, afinal este não é o meu perfil, e tive de explicar por onde havia andado, além da orla.  Para que eu não seja interpelado de forma semelhante quando voltar deste passeio às Filipinas, mostro agora um pouco do que vimos em termos de arquitetura aqui na ilha.

A igreja dedicada a São Francisco de Assis foi construída em 1783, na cidade de Siquijor, próxima à estação das barcas que fazem a ligação com Dumaguete, em Negros.  O material é local, obviamente: pedra de coral, que até hoje é explorada comercialmente para as construções de residências.  Próximo a Lazi, está o mais antigo convento construído nas Filipinas.  Não o visitamos.

Paixões nacionais

O esporte número um dos filipinos é o basquete.  No entanto, outra ocupação que dá lucros é a exploração das brigas de galos.  Aqui em Siquijor, os galos são tratados muito bem, obrigado.  Vimos vários terrenos onde os galináceos machos são abrigados em pequenas casinhas triangulares.  Nos mercados, há lojinhas especiais para a venda de ração e cuidados com os galos.

Um dos funcionários da nossa pousada vive numa casinha logo na saída da estradinha que leva à rodovia.  Ao me ver fotografando os seus galos imponentes (pai vencedor de três brigas e filho promissor), ele se manifestou e se ofereceu para me mostrá-los mais de perto.  Achei simpático, como quase tudo o que os filipinos fazem e a partir daí, pudemos conversar mais.  Num determinado rinque e dia aqui na ilha, é possível assistir até a 50 lutas galináceas.  A brincadeira só tem graça se houver dinheiro envolvido, é óbvio.  Ele me perguntou se eu gostava das lutas.  Eu respondi que não sabia.  Se tivesse respondido que não, talvez a minha franqueza o assustaria ou incomodaria.   Afinal, optei por ser superficialmente diplomático.
Pai (à frente) e filho (com apenas três meses)

Orgulho e paixão de muitos filipinos

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Foram-se o sol, os turquezas e os esmeraldas

O dia amanheceu assim aqui em Siquijor.

Os ventos de nordeste persistem há mais de 12 horas.  Vêm da direção fria.  Há garoas entremeadas com tempo apenas cinzento e alguns aguaceiros mais intensos.  Mas o vento é incessante e bastante forte.  O mar que andava completamente liso, se encrespou e mostrou como tudo é tão mutável numa região onde o oceano é soberano na determinação dos padrões climáticos.  Temos de torcer para que o vento diminua e que consigamos fazer a travessia para a ilha de Cebu, depois de amanhã.

Orquídeas e o sempre versátil e generoso côco

Ao fazer esta postagem, pensei na Dona Elsa e na Marta, amantes fervorosas das flores.

Vi pelo menos estas variedades (que aparentam ser Dendrobium) de orquídeas bonitas aqui na Ilha de Siquijor.

Parece um Oncidium, mas acho que não é

No jardim do hotel de Siquijor


Aproveitem.


Apesar dos coqueiros serem muito abundantes aqui e de produzirem muitos e belos côcos, os nativos não parecem desfrutar muito das delícias do seu cerne.  Conseguir um côco para beber é um sacrifício.  Tivemos de reservar o "buko" com antecedência, senão as desculpas seriam muitas para justificar a falta da semente milagrosa no cardápio do hotel. 

Vimos pedaços de côco a secar à beira da rodovia que circunda a ilha.  Depois, descobrimos que o alimento vai para os galos, xodós máximos dos homens.  Para ganhar nos rinques de briga de galo, eles tratam bem das aves.  Vivendo e aprendendo.

A pilha ilustrada a seguir foi encontrada no hotel.  Talvez seja resultado do descaso com que tratam o côco por aqui.  Há vários coqueiros brotando.

sábado, 15 de janeiro de 2011

APO

Três letrinhas que encerram uma complexidade ecológica imensa.  A ilha de Apo fica próxima da de Negros. 
O nosso passeio iniciou-se num dos hotéis mais sofisticados de Siquijor, o Coco Grove às 8:30 da manhã. 
O grupo de turistas europeus que nos acompanhou não incomodou.  Havia seis dinamarqueses, um casal simpático da Holanda, dois suíços que não interagiram com ninguém e três francesas um pouco excêntricas.
Rumo à ilha


O barco saiu um pouco atrasado, mas como é rápido, chegamos ao nosso destino antes das 11.  A paisagem acima do mar não denuncia a riqueza submarina: uma vegetação rala sobre um relevo que também não salta aos olhos.  Calçamos os sapatos de borracha que protegem os pés de ouriços e outros incômodos da orla e entramos curiosos na água.  A visibilidade submarina estava boa, o que nos permitiu ficar tranquilos e curtir o que se apresentava aos nossos olhos.  A variedade de corais foi o que mais impressionou, de imediato.  Ao contrário da praia de Siquijor onde fica o nosso hotel, a maior parte dos corais de Apo estava saudável e vibrando com muita vida.  Havia colônias imensas.  Muita gente viu tartarugas de perto.  Só vi uma ao ancorarmos.  Ela era grande.  A variedade de peixes era muito grande, o que nos entusiasmou muito.

Almoçamos na filial do resort, lá em Apo.  A comida estava simples, leve e gostosa. 
O ponto alto foram as mangas servidas na sobremesa, justificando a fama de que as Filipinas produzem as melhores do mundo.  Perfeição.

Meninos de Apo a brincar


Zarpamos rumo a outra praia, que é um santuário protegido.  A preservação destes ambientes de coral da ilha foi entregue aos habitantes da ilha, que policiam e se encarregam com afinco a colocá-la em prática.  O esquema que se implantou entre os habitantes é tão eficiente que não há necessidade de guardas ambientais do governo.  Controla-se a pesca e evita-se a destruição dos corais, essenciais à manutenção do restante do ecossistema marinho.  Senti-me no Jardim do Éden, tal a variedade e exuberância da vida que se instalou nessa ilha.  Havia torres imensas de coral.  Corais moles e anêmonas com formatos inusitados abrigavam famílias e grupos enormes de peixes-palhaço de várias espécies.  Peixes-anjo, pequenos peixes de um azul-neon prá lá de intenso e peixes-papagaio passeavam pelas formações do coral.  Não ficamos sem fôlego
porque utilizávamos o canudo de respiração, mas a sensação era exasperante.

Pena que tudo durou tão pouco.  Deixamos Apo por volta das quatro da tarde.

Na volta, fomos brindados pela presença sempre alegre de golfinhos, que se aproximaram do barco e nadaram bastante junto à sua proa.  Não sei se há fundamento, mas o capitão e os ajudantes batiam palmas para atrair os cetáceos.  Parece que deu certo.  Logo depois, um grupo de baleias-piloto também fez espetáculo junto ao barco.  Foi tudo muito emocionante.

Escolta cetácea

O capitão do barco


Peço desculpas por não postar fotos submarinas.  Arrependi-me um pouco de não ter comprado o estojo transparente que permite usar qualquer câmera convencional embaixo d'água.  Teria sido possível tirar belas fotos.


Consolo-me com foto tirada à beira da água, mostrando as tonalidades verde-azuladas que caracterizam este tipo de praia.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dia para passear pela ilha

Depois do descanso no meu aniversário, acordamos mais dispostos a conhecer a ilha, que tem uma estrada de 72 km ao seu redor.

O dia começou chuvoso e com poucas aberturas de sol, mas foi melhorando dramaticamente.  Chamamos um "táxi", que é uma motocicleta adaptada, contando com uma caçamba onde cabem muitos passageiros.  A capacidade de improvisação dos filipinos talvez supera o nosso famigerado jeitinho brasileiro.  Da necessidade, criam-se verdadeiras obras de arte e engenharia.
Não corremos tantos riscos quanto os filipinos, que se penduram no teto e apinham o interior destes triciclos


Visitamos três resorts em uma outra ponta da ilha, sabendo que lá haveria menos vento e, portanto, melhores condições para explorar os recifes de coral.  Não gostamos de nenhuma das pousadas.  Pretenciosas ou mal-ajambradas.  Não entrou na nossa cabeça sair da Vila Marmarine e nos enfiar em favelinhas cheias de europeus.  Ficamos aliviados em saber que estamos bem instalados e, com isso, decidimos ficar aqui até o final da estada em Siquijor, no dia 18.

Mas o melhor do dia ocorreu no final, quando paramos em um botequim bem simples, o JJ, onde encontramos um restaurante e uma praia lindíssima lá atrás.  Travamos conhecimento com três finlandeses e um casal de eslovênios, todos gente fina.
Irresistível San Juan, em Siquijor

Praia do JJ

A praia é lindíssima.  Águas límpidas, fundo branquinho e nada de ondas.  Estamos considerando participar de uma excursão no sábado até a ilha em frente (Apo), que promete ser ótima para os mergulhos.
Apo, a oeste de Siquijor

Mudança de placa

Amanhecemos na linda paisagem da praia do hotel Vila Marmarine, em Siquijor.
Vista do Vila Marmarine, em Siquijor

Do mar, olhando para a pousada


As fotos são mais eloquentes do que qualquer descrição.  Fiquei extasiado de poder ver novamente a qualidade cristalina das águas do Pacífico aqui destas bandas.  Isso se deve em parte ao substrato, uma areia fina derivada do coral, que não produz muita turbidez.  Fizemos algum "snorkeling" e constatamos que a maior parte do coral está morta.  Esta é uma triste realidade global.  Os motivos podem ser muitos: pesca predatória que utilizava dinamite ou cianeto para matar todos os seres vivos, inclusive os corais.  Colhia-se os peixes que boiavam, mas o legado mortífero era persistente por vários anos.  Atualmente, essas práticas estão proibidas, mas o aquecimento global trata de terminar a desgraça que já foi feita.  É verdade que vimos alguns corais prosperando, muito lindos, mas eles são ainda poucos.
Evitamos os ouríços com sapatos apropriados, que se encaixam no pé-de-pato


Os peixes também são poucos e pequenos.  Estamos planejando fazer um passeio a uma ilha com uma reputação boa neste quesito coral.  Veremos e, conforme a beleza, farei novo boletim aqui.

Ezio encomendou discretamente o jantar de aniversário aos donos da pousada.  À noite, a conversa entre ele e a garçonete me deixou intrigado e com uma pulga atrás da orelha.  Ela disse que iria trazer a encomenda logo em seguida.  Comemos um franguinho assado, uma caldeirada de siri e até tomamos um copo de vinho, cortesia do hotel.

Junto com o frango, chegou o bolo de chocolate. Enorme.  A falta de ordem dos pratos aqui no sudeste da Ásia já é minha conhecida.  O arroz chegou muito depois de termos começado a comer o frango.  Servimos o bolo a todos os hóspedes e aos empregados também.  Descobri um rapaz que trabalha aqui com o mesmo aniversário que eu.  O clima de confraternização foi muito gostoso.  Parece que os donos do hotel (que são japoneses) tratam bem os funcionários, pois eles são muito agradáveis e gostam de nos atender bem.

Só para o Ezio, a cerveja nacional
Completei 46 anos bem vividos.
Só alegria...

Propaganda da companhia aérea que escolhemos...

... mais por necessidade do que por preferência genuína, diga-se de passagem.

Mas a Cebu Pacific tem vários trajetos que nos foram úteis.  Integrá-los com os de outras companhias teria sido ainda mais complicado.  O quebra-cabeças foi suficientemente desgastante utlizando-se uma empresa.

São ônibus muito populares.  Dada a situação geográfica do país e a grande população (quase 90 milhões de habitantes), todos têm de se locomover de barco ou de avião.  As salas do aeroporto de Manila ficam apinhadas de gente, que senta no chão para comer, muitas vezes comida trazida de casa.  Tudo que é servido a bordo das aeronaves é cobrado, menos o ar, por enquanto.

Mas a pontualidade e eficiência dos funcionários é admirável.  Estamos bem contentes com a escolha.

Deve ser um Airbus, não os conheço bem.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Um dia de périplo para garantir paz e boa vida por dez dias

Deixamos Legazpi e tomamos fôlego para o que viria pela frente: a volta necessária a Manila, com conexão para Dumaguete, na ilha de Negros.  De Dumaguete, tomamos uma balsa que faz a travessia para a ilha de Siquijor.  Esta ilha, supostamente linda, é evitada pelos nativos, por superstições quanto aos feiticeiros que aqui vivem.

Todos os deslocamentos transcorreram bem e até pudemos dar um giro por Dumaguete.  Causou-nos uma impressão positiva.  Almoçamos/jantamos em uma confeitaria/restaurante com influências europeias.  Havia tortas muito bem feitas, lasanha e outros quitutes familiares.  Nas barraquinhas da rua que margeia o mar, muita gente se regalava com os ovos de pata fertilizados.  Ou seja, come-se o embriãozinho mal-formado, com biquinho e tudo.  Isso é Filipinas para vocês.

Chegamos por volta das 21:30 na pousada de um casal de japoneses (Sr e Sra Harada).  Muito charmosa, mas sem luxos.

Para relaxar, aproximamo-nos do vulcão mais ativo das Filipinas

Tratamos de sair logo de Manila, assim que compramos todos os bilhetes com a Cebu Pacific Airlines.  Isso nos proporcionou muito alívio.

O primeiro ponto de parada foi Legazpi, ao lado do Monte Mayón, supostamente o vulcão com a forma cônica mais perfeita que existe no planeta.  As fotos que vimos comprovam isso, mas não tivemos como documentar esta perfeição.  O vulcão esteve teimosamente encoberto em névoas e nuvens durante a nossa curta estada.

O máximo que vimos do vulcão.  São apenas nuvens, e não neve.
Para compensar, tivemos a chance de relaxar durante o domingão: nadei bastante na bela piscina e nos alimentamos adequadamente no restaurante do hotel.
Não perdi de vista a natação

domingo, 9 de janeiro de 2011

Manila não é fácil!

Chegamos às Filipinas!

O aeroporto nos recebeu bem, mas percebemos várias diferenças na eficiência e até mesmo na segurança circundantes.

Um táxi do hotel nos esperava, com o motorista e um acompanhante.  Ficamos sem saber se a função dele era a de guarda-costas.

O hotel ficava numa área central, mas como quase tudo em Manila, não há referências históricas preservadas.  A cidade sofreu muito com as batalhas travadas entre os americanos e os japoneses na época da Segunda Grande Guerra.  Morreram 150.000 habitantes da cidade em 1945, a maior parte dos quais por imperícia dos soldados americanos.  Seria um padrão habitual de nosso conhecimento em ocupações mais recentes dos ianques?  

A pobreza generalizada não faz cerimônia.  Há pouquíssimos prédios com a fachada bem mantida.  O bairro de Intramuros, contido por muralhas construídas pelos espanhóis, está praticamente todo dilapidado.  Mesmo neste distrito, que é o único conjunto de interesse histórico da cidade, há muita gente vivendo nas ruas, com pouca higiene e condições de saneamento.  Parece, contudo, que ainda se prendem a alguma dignidade, afinal este é o segundo maior contingente católico do planeta.  Mas verificamos também a malandragem, em sua modalidade menos atraente: motoristas espertinhos aplicando pequenos golpes impalatáveis aos turistas que eles creem ser desavisados.  Mas escapamos de qualquer incidente mais violento.

O alívio por termos emitido todos os bilhetes do nosso itinerário no arquipélago, só obtido às 20:30, foi comemorado com gosto em um restaurante... iraniano.  Aparentemente, há muitos iranianos que chegam às Filipinas para estudar o inglês.  Mas a comida, que era o que importava, estava ótima.

Dormimos exaustos, mas contentes com as providências que tomamos ao longo deste dia complicado.

O Buda de Po Lin

O Buda


O melhor chá verde engarrafado que já tomei

Chegada a Po Lin

O espaçoso aeroporto de Hong Kong.  Até logo, espero!

Mosteiro de Po Lin, bem cuidado, florido, limpo e com muito incenso.


Este visual dá para acalmar qualquer um.
Inspiramo-nos para acertar uma despedida a Hong Kong.  Na mesma ilha do moderno novo aeroporto, há um teleférico, também novo, que leva a uma montanha onde há uma estátua muito bonita do Buda.  Também nova, claro!  Ela mede 26 metros de altura e foi colocada lá em 1989.  Decidimos deixar as malas no aeroporto e seguir para Tung Chung e, de lá, rumo ao alto, com o teleférico.  O transporte demora 25 agradabilíssimos minutos e as montanhas da ilha de Lantau são atraentes, com menos mata do que o pico da ilha de Hong Kong.

As fotos falam por si.  Apesar do frio (três centígrados lá no alto), o passeio foi divertido e agradável.  O tempo ensolarado sempre ajuda.  Visitamos o mosteiro e comemos alguns petiscos da cozinha vegetariana.  O chá verde engarrafado estava maravilhoso.

Descemos a montanha de ônibus normal.  Serviço eficiente, como tudo lá em Hong Kong.  O embarque para as Filipinas foi às 21:55 e ocorreu pontualmente.  Muitos acertos para a organização dos chineses!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Descolonização






Hoje foi o dia da nossa visita a Macau, que não fica muito distante de HK.

Era grande a curiosidade para saber como os portugueses deixaram o território após a devolução aos chineses.  Os portugueses partiram em 1999.  A pujança econômica de HK não é nem de longe equiparada por Macau.  Os vestígios da colonização lusa são basicamente arquitetônicos.  Apenas dois por cento da população de 500.000 habitantes usa o português habitualmente. No entanto, o país é oficialmente bilíngue.  Acreditamos até que para manter certos privilégios de região politicamente autônoma junto ao governo central chinês.  É uma pena não poder encontrar muitos falantes do nosso idioma na rua.  O garçom que nos atendeu no almoço, no restaurante português, falava um pouquinho de português, mas perguntando-lhe de onde era, descobrimos que havia migrado das Filipinas!

O local portanto, é sujeito a esta e a outras falsificações em sua identidade.  A indústria do jogo deve ter entrado em algum outro vácuo criado pela devolução territorial.  Construiu-se lá o maior cassino do mundo (The Venetian).  Entramos só para comprovar.  É muito impressionante mesmo.  Existe uma migração diária de pessoas buscando este tipo de "lazer".  Elas vão de Hong Kong ou da China continental fazer as suas apostas nas mesas dos mega-empresários que controlam este e outros cassinos.  E as lojas de penhor florescem lindamente ao lado dos cassinos.

Tudo isso contribuiu para que tivéssemos uma impressão melancólica do lugar, aparentemente assentado sobre várias ilusões, e vendendo estas ilusões pela região afora.

Também trouxemos algo mais palpável de lá: uns biscoitinhos e pasteis de nata (ao estilo dos de Belém, em Portugal).  Aposto que as calorias não eram ilusórias.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A hiperurbanidade


Hong Kong é muito urbana. As semelhanças geográficas com o Rio de Janeiro são muitas. Há montanhas que saem do mar e também pouco espaço para muita gente. O bairro onde estamos hospedados (Wan Chai) se parece muito com Copacabana, embora a verticalidade seja mais acentuada aqui do que lá.

Ontem, Ezio e eu subimos o pico com o bonde. É o equivalente ao Corcovado lá do Rio. O passeio é muito bonito e o bondinho é muito competente. Porém, o clima aqui anda mais frio do que a média carioca. Descemos de lá à noite, e já ventava bastante, o que aumentou a sensação de frio. Devia estar fazendo uns 12 graus.

Que inferno astral?

A travessia não poderia ter sido mais suave.  Não fui detido por nevascas na Europa, não sofri muito fisicamente com os longos voos e até me recuperei no terceiro voo (de Munique para Hong Kong).

As primeiras impressões da cidade foram muito positivas. O metrô funciona bem, as pessoas se comportam com civilidade, enfim, trata-se de uma cidade bastante razoável.

Já passeamos bastante no dia 1 de janeiro e ontem.

A diferença no fuso horário ainda é sentida. Estamos a 10 horas à frente do horário brasileiro. O sono ainda não se normalizou, mas chegamos lá...