Três letrinhas que encerram uma complexidade ecológica imensa. A ilha de Apo fica próxima da de Negros.
O nosso passeio iniciou-se num dos hotéis mais sofisticados de Siquijor, o Coco Grove às 8:30 da manhã.
O grupo de turistas europeus que nos acompanhou não incomodou. Havia seis dinamarqueses, um casal simpático da Holanda, dois suíços que não interagiram com ninguém e três francesas um pouco excêntricas.
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| Rumo à ilha |
O barco saiu um pouco atrasado, mas como é rápido, chegamos ao nosso destino antes das 11. A paisagem acima do mar não denuncia a riqueza submarina: uma vegetação rala sobre um relevo que também não salta aos olhos. Calçamos os sapatos de borracha que protegem os pés de ouriços e outros incômodos da orla e entramos curiosos na água. A visibilidade submarina estava boa, o que nos permitiu ficar tranquilos e curtir o que se apresentava aos nossos olhos. A variedade de corais foi o que mais impressionou, de imediato. Ao contrário da praia de Siquijor onde fica o nosso hotel, a maior parte dos corais de Apo estava saudável e vibrando com muita vida. Havia colônias imensas. Muita gente viu tartarugas de perto. Só vi uma ao ancorarmos. Ela era grande. A variedade de peixes era muito grande, o que nos entusiasmou muito.
Almoçamos na filial do resort, lá em Apo. A comida estava simples, leve e gostosa.
O ponto alto foram as mangas servidas na sobremesa, justificando a fama de que as Filipinas produzem as melhores do mundo. Perfeição.
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| Meninos de Apo a brincar |
Zarpamos rumo a outra praia, que é um santuário protegido. A preservação destes ambientes de coral da ilha foi entregue aos habitantes da ilha, que policiam e se encarregam com afinco a colocá-la em prática. O esquema que se implantou entre os habitantes é tão eficiente que não há necessidade de guardas ambientais do governo. Controla-se a pesca e evita-se a destruição dos corais, essenciais à manutenção do restante do ecossistema marinho. Senti-me no Jardim do Éden, tal a variedade e exuberância da vida que se instalou nessa ilha. Havia torres imensas de coral. Corais moles e anêmonas com formatos inusitados abrigavam famílias e grupos enormes de peixes-palhaço de várias espécies. Peixes-anjo, pequenos peixes de um azul-neon prá lá de intenso e peixes-papagaio passeavam pelas formações do coral. Não ficamos sem fôlego
porque utilizávamos o canudo de respiração, mas a sensação era exasperante.
Pena que tudo durou tão pouco. Deixamos Apo por volta das quatro da tarde.
Na volta, fomos brindados pela presença sempre alegre de golfinhos, que se aproximaram do barco e nadaram bastante junto à sua proa. Não sei se há fundamento, mas o capitão e os ajudantes batiam palmas para atrair os cetáceos. Parece que deu certo. Logo depois, um grupo de baleias-piloto também fez espetáculo junto ao barco. Foi tudo muito emocionante.
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| Escolta cetácea |
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| O capitão do barco |
Peço desculpas por não postar fotos submarinas. Arrependi-me um pouco de não ter comprado o estojo transparente que permite usar qualquer câmera convencional embaixo d'água. Teria sido possível tirar belas fotos.
Consolo-me com foto tirada à beira da água, mostrando as tonalidades verde-azuladas que caracterizam este tipo de praia.